Elisabete Kreitchmann

Elisabete Kreitchmann, escultora e médica, nasceu em São Paulo, em 1952. Aos seis anos, mudou-se para Porto Alegre, onde reside até hoje e onde construiu, como costuma dizer, uma “alma gaúcha”.

Apaixonada pela medicina e pelas artes plásticas desde criança, sempre expressou, por meio do desenho e da pintura, seus sentimentos, sonhos e desejos. Sua sensibilidade, delicadeza e preocupação com as questões sociais também se refletem em sua produção artística.

A medicina e a arte sempre estiveram presentes em sua vida, entrelaçando-se e enriquecendo suas experiências. Ao ingressar na Faculdade de Medicina, foi desafiada a pintar um mural no Centro Acadêmico. O sucesso do trabalho marcou o início de uma bela história de amor, que perdura até hoje e da qual vieram quatro filhos e seis netos.

Entre as artes, a escultura é sua maior paixão. Por meio dela, traduz sua vivência como médica ginecologista e obstetra e dá forma a sentimentos. Ao amassar o barro e moldá-lo, revela poesia e beleza, com a mesma paixão com que ajudou a trazer milhares de bebês ao mundo. 

Para Elisabete, a escultura materializa sonhos, expressa sentimentos e desejos e revela o indizível — aquilo que as palavras não conseguem traduzir.

As formas que Elisabete Kreitchmann resgata da realidade ou da imaginação convidam a um segundo ou terceiro olhar, que revela detalhes presentes nos movimentos e nas expressões de suas esculturas. Nelas, a artista transmite uma mensagem de amor e empatia pelos seres humanos e pelos animais.

Extremamente criativa e dotada de grande sensibilidade, Elisabete produz uma obra eclética, que não se limita a um único tema ou estilo. Ainda assim, questões sociais — como a imigração e a vida das mulheres — estão muito presentes em suas esculturas.

Inspiradas na vida das mulheres brasileiras, suas obras retratam figuras batalhadoras, presentes em todo o mundo: mulheres com um filho no ventre e outro “a tiracolo”; mães que acolhem e protegem uma família numerosa; mulheres que lavam roupas à beira de um riacho; meninas ternas com suas bonecas. Também retrata a deusa grega Têmis, associada à Justiça, com os olhos vendados e uma balança em desequilíbrio. A imagem expressa, ainda, a desigualdade de gênero perante a Justiça ao longo da história, sobretudo para as mulheres em situação de vulnerabilidade econômica e social.

Uma de suas obras mais emblemáticas retrata Artemísia Gentileschi, uma das mais importantes pintoras do século XVII e uma das artistas mulheres mais reconhecidas de seu tempo.

Suas esculturas também expressam seu amor pelo Rio Grande do Sul, representado pela figura do homem do campo, o gaúcho, e sua paixão pelos animais, especialmente cavalos e touros.

 

Até hoje, a medicina e a arte caminham juntas em sua vida, enriquecendo-se mutuamente.

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